2012年11月30日金曜日

Kondankai (reunião com os pais) e suas regrinhas


 Tá aí uma palavrinha difícil de traduzir, viu? Kondankai. Geralmente, Kondankai é o tipo de reunião feita nas escolas onde o professor determina um horário para conversar com os pais sobre o andamento do filho na escola. Essas reuniões são particulares. Só entre os pais e responsáveis e, em alguns casos, ccom a participação de algum outro profissional envolvido na educação do aluno, como pedagogas, professora da classe para crianças especiais ou professora da classe para crianças estrangeiras.
  Não sei se temos algo parecido no Brasil, mas se alguém souber, por favor, me conta!
  Bem, o Kondankai dura cerca de 15 minutos e, geralmente, por regra, o professor tece muitos elogios aos aluno e, dificilmente fala algo ruim em relação a ele. Coisa, que aliás, eu não suporto, diga-se de passagem.
  Mas, o que eu quero falar hoje aqui não é do kondankai em si, mas, sim, de algo relacionado a este tema e que me chamou muita atenção.
  Nas escolas onde há muitas crianças estrangeiras, eles disponibilizam de tradutoras e intérpretes para ajudar nas reuniões e traduzir os vários avisos da escola, que não são poucos. Num desses avisos sobre o Kondankai, havia três itens os quais me fizeram pensar em como a escola controla não só os alunos, mas até mesmo os pais. Este tipo de sistema educacional em japonês é chamado de Kanri Kyouiku (Pedagogia do Controle) e nós vamos abordar este assunto melhor, nos próximos posts.
  Mas, vamos ver quais foram os itens que chamaram minha atenção. Não sei como os outros pais brasileiros e peruanos reagem em relação a estas regras, mas, eu, pelo menos, achei bem estranho, apesar de trabalhar dentro do sistema.
 
1.    Nosso estacionamento é muito pequeno. Por isso, pedimos que os pais não venham de carro.
2.    Cada um deve trazer seu próprio chinelo. (como vocês devem saber, aqui no Japão se tira os sapatos para entrar em casa e determinados locais. Na escola, também, se deve tirar o sapato e calçar um chinelo.
3.    Como está muito frio, no momento da reunião podem permanecer com seus casacos. (Para quem não sabe, aqui no Japão se deve tirar o casaco ou sobretudo quando se entra num recinto. Geralmente, porque têm aquecedor, mas...detalhe: Na maioria das escolas, nas salas de aula onde a reunião acontece, NÃO há aquecedores. Ou seja: É um frio de lascar!!!

 

Enfim, esta é a escola japonesa. Regras, regras e mais regras. Para pais e filhos.


Este é o sistema educacional japonês



“Há escolas que são gaiolas.
Há escolas que são asas.
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados não são pássaros sob controle.
Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser.
Pássaros engaiolados sempre têm um dono.
Deixaram de ser pássaro.
Porque a essência dos pássaros é o vôo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados.
O que eles amam são os pássaros em vôo.
Existem para dar aos pássaros coragem para voar.
Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros.
O vôo não pode ser ensinado.
Só pode ser encorajado.”

                                                                 Rubem Alves

    

2012年11月29日木曜日

Isso pode ser chamado de educação???

Vídeo no youtube que mostra como a rivalidade e o ódio é implantado nas crianças desde a mais tenra idade. No caso, o país aqui é a Coréia do Sul.
http://www.youtube.com/watch?v=BZHy2NDU9R8&feature=related(áudio em japonês e legendas em inglês)

Para refletirmos um pouco sobre o sistema educacional no mundo todo

Interessantíssimo vídeo do estudioso britânico Ken Robinson que nos faz refletir um pouco sobre o papel educação e o que realmente seria a verdadeira educação.Com legendas em português.Vale a pena assistir!

2012年11月27日火曜日

Mais um aluno é encontrado morto dentro da escola


  Esse triste acontecimento se deu na província de Mie, na cidade de Yokkaichi, e a escola em questão é Yokkaichi Kougyou Koukou.
Ontem, dia 26, um estudante do primeiro ano do ensino médio desta escola foi encontrado caído no pátio central. Assim que o encontraram, logo chamaram a ambulância e o levaram para o hospital, mas duas horas depois, ele veio a felecer.
A escola,claro, quer tirar o dela da reta e disse que ele só pode ter caído do 4º andar.A polícia de Yokkaichi está investigandoa causa da morte.
  Segundo a escola, por volta de 10:30 da manhã de ontem, um dos funcionários ouviu um estrondo, como se alguma coisa tivesse caído e foi até lá fora ver o que tinha acontecido. Nessa hora, ela viu o aluno caído no pátio central. Então, perceberam que a janela do corredor próxima à da sala de aula dele, no 4º andar, estava aberta. Naquela hora, eles estavam tendo aulas no laboratório e não havia ninguém na sala. Neste dia, ele havia chegado atrasado e não encontraram nenhuma carta ou anotação que pudesse servir como uma pista.
  Segundo relatos, o aluno frequentou normalmente as aulas e atividades do Bukatsu até o dia 24 deste mês. O diretor da escola comentou que ele era um menino muito alegre e simpático e que não aparentava sofrer nenhum problema de bullying ou outra coisa semelhante. A escola vai ouvir o depoimento de vários alunos para poder investigar melhor o caso.
  Olha, se não estivéssemos no Japão,eu poderia até acreditar que foi um acidente e o menino caiu ou foi empurrado da janela. Mas, acho esta hipótese praticamente impossível. E, como sempre, as escolas tentam tirar o corpo fora e colocar a culpa no aluno, dizendo que ele deve ter se descuidado e caído lá de cima. Mas...porque ele iria subir na janela do 4º andar enquanto toda a sua turma estava em aula? Estranho, não? Só não ver quem não quer.Fico apenas imaginando o choque a dor da família do menino. Imagine só você ver seu filho indo para escola e de repente receber um telefonema dizendo que ele está morto?
 A dor que se sente deve ser devastadora. Aqui deixamos os nossos sentimentos para a família da vítima.
  Se vocês quiserem ler a notícia na íntegra, aqui está o link:



人権週間 - A Semana dos Direitos Humanos no Japao


Onde trabalho, todos os funcionários da Secretaria de Educação têm acesso a um sistema online, uma espécie de fórum, onde são postados os avisos de eventos do mês, comentários, calendário, etc. Lá tambem se tem acesso ao quadro de funcionários e dá para saber quem está trabalhando no dia, quem está de folga, quem tem alguma reunião fora, etc. Ou seja: Privacidade zero, mas super normal aqui no Japao.
  E, semana passada, um dos posts era sobre o famoso Jinken Shuukan (人権週間Semana dos Direitos Humanos), que sempre acontece em novembro. Antes de eu entrar no assunto principal, quero explicar um pouco o que é e o que se faz nessa semana de direitos humanos. Durante uma semana, a escola (ginasial) convida vários palestrantes representando as minorias aqui do Japão ou pessoas cujos direitos humanos foram violentados.

Geralmente, o carro-chefe são pessoas com necessidades especiais e estrangeiros. Eu mesma, já fui várias vezes falar para a garotada sobre como é ser estrangeiro aqui no Japão e sobre a discriminação contra estrangeiros.      Graças a Deus, todas as vezes eu fiquei muito satisfeita com o resultado. Uma vez, contei sobre os japoneses sempre evitarem sentar do meu lado no trem e que, apesar de ficar triste com isso, eu entendia o porquê de eles não sentarem. O problema não está no estrangeiro em si, mas neles mesmos. Sim, porque eles tem baixa-estima e não são um povo comunicativo. Além disso, eles morrem de medo (sim, medo mesmo!) de falar outro idioma e do que as pessoas à sua volta vão pensar dele se o virem falando outra língua. E, por último, eles acham que todo estrangeiro NÃO entende japonês. Afinal, na cabecinha deles, nihongo só é falado do Japão! Como alguem com uma cara não-oriental vai falar japonês?
Então, soma tudo isso e imagina o pânico dentro da cabeça do japa!!! Deu para imaginar?
E, neste dia, depois que terminou a palestra duas meninas vieram falar comigo pessoalmente, algo que me deixou muuuito feliz. Elas disseram que muitas vezes já tinham feito isso, mas que só pensaram nelas e, nunca no que o estrangeiro poderia sentir, se isso magoaria ele ou não.

Mas, o que eu quero abordar aqui hoje não é a questão da discriminação, pois isto já está sendo tratado no meu outro blog, o Tabibito (tabibitosoul.wordpress.com). Mas, sim, uma mensagem que li lá no fórum da secretaria de educação da minha cidade, a qual foi publicada por um dos diretores das escolas que visito. Vejam o que ele escreveu:
  Ultimamente, tenho percebido o quão ruim é o linguajar de certos alunos e também professores dentro da escola. Alguns professores fazem questão de criticar os defeitos do aluno na frente de todos. Algumas vezes, também, os chamam por algum apelido o qual o aluno não gosta e não quer ser chamado. Gostaria muito que refreiassem este tipo de comportamento que tantos danos à personalidade do aluno.
Se eu já admirava este diretor antes, imagine agora!!!E ele tem toda razão!!Ele ainda usou uma forma muito educada e suave para tratar de um assunto tão sério e o qual tem feito feito vários estudantes tirarem a própria vida! Mais uma coisa para se pensar e muito, nesta semana dos direitos humanos.
Um abraco e ate a proxima!


2012年11月26日月曜日

Tempo de estudo nas escolas japonesas


Creio que o Japão (e mais recentemente a Coréia) são conhecidos no mundo todo pelo tempo que seus alunos passam estudando. Bem, eu diria: tempo que eles passam dentro da escola, porque nem sempre eles estão estudando. Aliás, creio que quando um brasileiro ouve dizer que uma criança fica na escola de 08:30 às 16:00, ele automaticamente associa isso ao tempo de estudo, pensando que a criança passa o dia todo atrás dos livros didáticos, estudando matemática, japonês, ciências e todas aquelas matérias que já conhecemos. Porém, qual não seria o seu espanto se você visse que os alunos japoneses (não sei dizer os coreanos) não passam o dia todo com livros didáticos.     
  O que acontece é que eles têm muitas atividades que, aqui são consideradas estudo ou parte dele e, as quais, de repente, no Brasil, não seriam consideradas estudo. Uma matéria que os alunos japoneses têm é a caligrafia. (shousha), onde aprendem técnicas de shodou (caligrafia tradicional japonesa), que aliás, é uma belíssima arte aqui no Japão, China, Coréia e outros países onde os ideogramas chineses ainda são utilizados.
   
  Eles também têm outras atividades, como estudos gerais (sougou gakushuu), onde o tema é livre e eles podem estudar o que quiserem, a matéria que mais gostam. Aliás, esta matéria foi inserida no currículo das escolas japonesas há menos de 10 anos, se não me engano. Mas, até agora ninguém entendeu para o que que serve.
Outro dia fui numa aula desse tal sougou gakushuu e fiquei pasma por 3 motivos:
  1 – Crianças de 8 anos estudando sozinhas, sem ninguem ficar no pé.
  2- Outras crianças, da mesma classe, não fazendo absolutamente nada sem ser bagunça e ainda atrapalhando os colegas.
   3- E a atitude passiva do professor, que não os repreendia em absolutamente nada.
  Inconformada, ainda perguntei pra uma aluna: -“Ei, você não deveria estar estudando agora?”
  Adivinha o que ela disse? – “Sim, mas não tô. Não tô a fim”.
  Como eu não sou a professora da turma e só vou lá de visita, não há nada que eu possa fazer, a não ser ficar pasma.
   Além de estas e outras atividades, os alunos têm uma série de eventos durante o ano e, muitas vezes, os horários de aula acabam virando horário de ensaio. Recentemente tivemos um festival na cidade e, como os alunos iam participar o desfile, além da banda da escola, eles passaram muitas horas ensaiando. Eu chegava lá para dar aula e, cadê meus alunos? Ensaiando no pátio a escola.
 
   Outra atividade que toma muito tempo deles e o Undoukai (gincana esportiva) e, no ginásio, o Taiikusai (Torneio Esportivo), além de festivais culturais, como Bunkasai e outros. Ou seja, eles não ficam só sentados estudando e escrevendo. Eles tem muitas atividades, as quais, muitas, considero extremamente desnecessárias. Mas, eles fazem isso há séculos e, mesmo vendo que hoje o mundo mudou e precisamos de outro tipo de alunos, eles continuam insistindo no seu método antiquado.
 Até meados da década de 90, os alunos japoneses também tinham aulas aos sábados. Hoje, isso não existe mais, o que ainda gera muita discussão. Na verdade, foi uma medida do governo não só para tirar um pouco a carga dos alunos, mas principalmente, para que eles passassem mais tempo com os pais em casa. Mas, quem disse que adiantou alguma coisa??? O que os pais fizeram?? Mandaram as crianças para cursinhos estilo juku (curso de reforço) e outras atividades, como piano, natação, inglês, artes marciais, etc.
  
  Já os estudantes do ginásio, mal tem os fins de semana livres, pois estão sempre envolvidos em atividades do Bukatsu (atividades extra-classe). Se participam de algum Bukatsu esportivo, então! Por isso é muito comum você sair para passear nos fins de semana, pegar um trem e ver o trem lotado de estudantes com seus tacos de beisebol, armas de kendou, raquetes de tênis, etc. E, eles passam o dia todo fora. São muitos os torneios e campeonatos municipais e regionais.

   Agora, pegando um pouco mais pesado, outro dia li uma tese de um japonês (pasmem!), que criticava muito o sistema escolar aqui, dizendo que tudo que acontecia nas escolas já era uma preparação para quando eles crescessem e fosse trabalhar em fábricas e empresas. Essa coisa de se incentivar o tal do gaman, (aguentar tudo sem reclamar) por exemplo, na opinião dele, seria apenas uma espécie de lavagem cerebral, onde os alunos aprenderiam desde cedo que deveriam obedecer apenasm aguentar tudo sem jamais reclamar nada. Assim, quando chegassem na fase adulta e tivessem que entrar nas empresas, seria fácil colocá-los para fazer longas jornadas de trabalho, como de 08:00 às 22:00 e, fazer com que vivessem pela empresa ou fábrica.
   Para ser sincera, eu já tinha percebido isso há muito tempo. Porém, como sou estrangeira e ocidental, eu penso de forma diferente dos japoneses em muitos assuntos. E, quando você estuda para ser professor, você tem uma abordagem da Educação completamenre diferente da que eles têm aqui. Então, muitas vezes achei que fosse “coisa da minha cabeça ocidentalizada”. Mas, após ler os artigos escritos por aquele japonês, eu tive certeza que estava na linha correta de pensamento. Ocidental ou não. Porém, lógico e realista.
  E você? O que pensa a respeito? O que acha dessas atividades nos fins de semana? Acha que são boas para as crianças ou as fazem cada vez mais ficar distantes dos pais?
Acha que o sistema japonês ajuda ou atrapalha na formação do caráter da criança? Deixe seu comentário aqui para podermos saber sua opinião a respeito. 
Um abraço e até a próxima.