2012年5月10日木曜日

O que que o professor vem fazer na minha casa?

 Katei Houmon - O professor na sua casa

 Aqui no Japão, como muitos já devem saber, tem algumas vezes que o professor do seu filho vai te fazer uma visitinha. Mas, nao é visita surpresa, graças a Deus. Como tudo aqui no Japão, é avisado com bastante antecedência e dá tempo de você deixar a casa bem limpinha antes do professor aparecer.
 - Mas porque que o professor tem que ir na minha casa? Que saco!- Muitos devem pensar.
Bom, segundo me ensinaram, o objetivo principal dessas visitas é conhecer melhor o ambiente no qual vive o aluno. As escolas japonesas realmente querem (e tem que) estar a par de tudo que acontece com a criança, pois o ambiente onde vive está diretamente relacionado com seu desempenho escolar. E, para entender e conhecer melhor a criança, nada melhor do que conhecer os pais dela, ne?
   Geralmente, nessas visitas, quando a gente conversa com os pais, nem que seja 5 minutinhos já dá para sacar qual o tipo de ambiente que a criança vive. A não ser que os pais sejam ótimos atores, mas no geral, pela deixas, você percebe muita coisa.
    - Ih....será que eu tenho que fazer alguma coisa....um cafezinho, pelo menos, para servir ao sensei?"
  A resposta é: Melhor não. Essas visitas são muito rápidas e os professores são instruídos a não aceitar nada. Assim como eles não aceitam presentes de alunos e pais, coisa até comum no Brasil, né?
   Mas, também já fui em algumas casas onde serviram um cafezinho brasileiro muito gostoso e, outra, onde a mãe estava toda feliz esperando a gente enquanto assava um bolo de chocolate!
   O cheiro do bolo estava maravilhoso, ainda mais porque ela também tinha acabado de fazer café. Ai...que combinação mais maravilhosa!E, neste dia, eu queria muuuuito comer aquele bolo. Mas, estava com uma outra professora mais velha e fiquei esperando a reacao dela. Mas, nem ela resistiu!Falou itadakimasu e...mandou ver!Aí, claro, eu também me achei no direito de comer um bolinho, né?
   Mas, teoricamente, não precisa servir nada e, se eles não aceitarem, não se sinta ofendida. Não é que eles não queiram. É que eles não podem mesmo.

Ate tu, Brutus?

へえー???!!!ジュリアナ先生も???(Que?Ate tu, Juliana sensei!?)
Sim, essa foi a frase que duas professoras soltaram quando me viram escrevendo no meu caderninho.
Mas, o que teria errado no meu jeito de escrever? Se algum brasileiro me visse escrevendo, acharia a coisa mais normal do mundo. Mas, lembre-se: Estamos jo Japao, onde tudo gira em torno da.....forma!
Bom, voces nao devem estar entendendo absolutamente nada. Observe bem o jeito que vc coloca o caderno e segura a caneta quando escreve. Pois eh...nas escolas do Brasil, pelo menos na minha epoca, nunca me corrigiram em relacao a isso. Nunca disseram como eu deveria sentar ou segurar umna caneta. O pensamento do professor eh: "Nao importa como voce faz, desde que faca certo". Este eh o pensamento brasileiro. Eu tambem penso assim. A ordem dos fatores nao altera o produto, ne? Mas aqui no Japao altera.
Aqui, tudo eh ensinado desde o zero e para tudo se tem ordem e "katachi" (forma). Se voce entrar numa sala de aula japonesa vera uma foto assim:

 Essa eh a postura correta para se escrever e se pegar no lapis.
  Quem nao escreve assim, esta.......ERRADO!Sim, se voce foge do padrao, voce esta errado. Ai....essa eh a parte do Japao que realmente eu menos gosto. Mas, nao da para querer enfiar na cabeca deles que o ser diferente eh legal e bonito, visto pelo fato que eles sao uma ilha, ne? Se bem que essa desculpa de "ilha" nao cola muito,ne? Mas, enfim....tem fatores historicos e geograficos por tras desse pensamento japones. Entao, ate eles "aceitarem" que nem tudo gira em torno da "forma", eh muito dificil. Ainda mais quando se trata de duas professoras de terceira idade. Tem que ter muuuuuita paciencia e respeito para nao deixa-las chateadas e magoadas, ne?
   Elas ainda perguntaram: "Mas e quando voce escreve em japones?Voce tambem escreve torto assim?". - "Sim!"
  Elas arregalaram os olhos e foi um tal de "heeee...." e "ahn...." pra la e pra ca.
  Mas, o bom de tudo isso eh que elas perceberam que ate eu, que sou professora, tambem escrevo deste jeito. Ou seja: O problema nao esta nos alunos em si. Qual postura eh melhor e quem esta certo, nao vem ao caso. O que eu queria que elas entendessem eh que as criancas conseguem escrever da mesma forma, assim como eu, sem precisar de todo aquele ritual descrito nos posteres que estao colados em cada sala de aula.Sem precisar se fixar tanto na "forma" das coisas, entendem?
   O que eu queria que elas compreendessem tambem, eh que eh possivel aprender, escrever bem e ainda ser um otimo aluno independente da postura com a qual voce coloca o seu caderno ou o seu braco.
   Porque na cabeca delas, postura errada = nao conseguir estudar, o que sabemos que nao eh verdade.
    E ai? O que voces acham? 
 

2012年4月13日金曜日

Escola brasileira ou japonesa??


   
    Quando chegam ao Japão, muitos pais ficam perdidos em relação a onde matricular seu filho: se numa escola brasileira ou japonesa. Esta é realmente uma questão difícil e a qual só os pais podem decidir. Porém, é bom considerar muitas coisas antes de fazer a escolha. Alguns fatores a serem considerados: Qual a idade do seu filho? Ele já foi alfabteizado na língua materna? Vocês pretendem ficar quanto tempo no Japão? entre outras.


    A maioria sempre diz que pretende ficar uns 5 anos e ir embora para o Brasil, mas a verdade é que esses 5 anos sempre se transformam em 10, 15, 20 anos e quando percebem, seu filho já passou da idade escolar. Sabemos que durante o tempo em que estão trabalhando aqui no Japão, muitas coisas podem acontecer, como perder o emprego, por exemplo, mas mesmo assim, é importante que os pais façam planos com mais antecedência, incluindo, claro, a educação do filho. 


  Aqui no Japão, apesar de a educação fundamental sair quase de graça, os gastos com educação são enormes caso queira que seu filho faça um segundo grau, curso profissionalizante ou faculdade. Só para se ter uma idéia, os japoneses fazem poupança só para isso desde que a criança nasce!!!


   Se seu filho não sabe nada de japonês e já tem uma idade avançada, seria bom matriculá-lo em alguma escola brasileira reconhecida pelo Mec (de preferência) e investir no ensino na língua japonesa de outra forma.Claro que para isso, precisa-se de dinheiro e de cortar alguns gastos no mês. Já vi muitas famílias que sempre reclamavam que não tinham dinheiro para pagar a merenda do filho e algumas excursões da escola, mas viviam se gabando (e os filhos também) de terem comprado I-phone, tv de plasma, carro zero, etc. Ah, gente....faça me o favor, né?


   Porém, se você pretende ficar por aqui mesmo, então, o melhor é que seu filho frequente uma escola japonesa e se familiarize bem com o sistema daqui e, principalmente, com a língua. Sem ter um ótimo domínio dela (não adianta falar. Tem que saber ler e escrever bem!), ele não terá boas opçoes de trabalho. Esta é a realidade. 


     Se decidir pela escola brasileira, faça de tudo para mantê-lo lá. O mesmo se aplica à escola japonesa. Uma vez matriculado lá, procure não transferi-lo para escolas brasileiras, ainda que mude de província. Essas mudanças constantes de escola fazem com que os alunos não aprendam nada. Eles acabam ficando semilingues, ou seja: Não são bons em nenhuma das duas línguas. 


    Sabemos que cada caso é um caso e não podemos generalizar. Porém, se a educação da criança e não o nosso sonho de comprar um carro ou outro bem material estiver em primeiro lugar, muitos problemas futuros poderão ser evitados.


     Então, antes de decidir onde matriculá-lo, pense bem, converse com alguém experiente e boa sorte!


    


   

Apresentação

 
  Devido ao grande número de crianças brasileiras matriculadas nas escolas públicas japonesas e da deficiência apresentada por elas no que diz respeito a competência linguística, resolvemos criar este blog como uma ferramenta para pais e educadores no Japão.


   Sabemos que as diferenças entre as duas culturas, principalmente no que diz respeito ao sistema educacional são enormes, mas gostaríamos que todos conseguissem superar estas diferenças e dificuldades a fim de dar uma melhor educação para nossas crianças. Então, sejam muito bem vindos!!!


"Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda." (Paulo Freire)